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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A NOITE DOS TEMPOS - René Barjavel


 "  A humanidade, com um pouco mais de barulho, esforçava-se para esquecer o que acabava de compreender olhando aqueles dois que jaziam no polo: a que ponto ela era antiga, cansada até mesmo nos seus mais belos adolescentes." ( p 66)






E se não fossemos o topo da cadeia evolutiva,se fossemos apenas mais uma versão da humanidade correndo contra a natureza humana para tentar alcançar o topo? E se muitos antes de nós já tivessem repetido os mesmos erros, com apenas pequenas diferenças? O que a descoberta desse final ao qual conduz o caminho que estamos trilhando poderia causar ?
Esses são alguns dos questionamentos que cercam a leitura de a noite dos tempos. O titulo remete a descoberta de uma antiga civilização, que enterrada sobre o pólo aguarda silenciosamente a sua descoberta. Uma equipe de exploração localiza e desenterra do frio quase absoluto dois espécimes, um homem e uma mulher, que são mantidos em complicados equipamentos desde a noite dos tempos. A reanimação deles pode trazer a tona segredos científicos capazes de acabar com a doença e a fome e também  capazes de criar armas que podem destruir o planeta inteiro de uma unica vez.

Cada detalhe da descoberta é anunciado e divido com o mundo por meio da mídia, e logo transforma em jogo politico e alimento para o capitalismo.

Uma das tecnologias trazidas pelo autor para esse centro de pesquisa é uma super tradutora que traduz 7 línguas simultaneamente. Quando essa tradutora para os homens também param :






 " babel tinha caido novamente sobre nós"








Esse livro foi um verdadeiro achado, não posso imaginar passar uma vida toda sem  lê-lo.

Uma obra que trata das consequências de uma grande descoberta. Com um desfecho digno de Shakespeare.

O autor não economiza na ação, não guarda situações para o final em uma tentativa de alongar a obra, os fatos vão acontecendo bem rápido e as vezes uma situação que eu imaginava que tomaria 5 páginas é descrita em um parágrafo, enquanto outras para o qual eu imaginava que não seria dada atenção tomam capítulos inteiros. O final é divino, mas o desenrolar da história não fica para trás.
Eu  raramente não quero que um livro acabe.Gosto quando as histórias acabam mesmo que estou
adorando um livro. Procuro pensar que a palavra fim significa a oportunidade de um novo começo, mas confesso que não queria que esse livro acabasse e quando acabou eu simplesmente precisava de mais.

Eu fiquei tão apaixonada que aproveitei para comprar A noite dos Tempos ( já que li o da biblioteca) e Devastação, do mesmo autor, que estavam com um preço bem legal na estante virtual.

" Era a imagem silenciosa da destruição do mundo, proposta aos homens pelos homens"( p225)





Um comentário:

  1. Parece um livro esplêndido! No começo da sua resenha quando você fala "E se muitos antes de nós já tivessem repetido os mesmos erros, com apenas pequenas diferenças?" lembrei da lei do eterno retorno, que é uma ideia de Nietzsche. Já ouviste falar? Adorei a resenha, Bibbi. Deu vontade de lê-lo!

    Beijinhos, Hel.
    leiturasegatices.blogspot.com.br

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