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4 de out. de 2017

Deuses Americanos - Neil Gaiman

Como nasce um deus? Para Neil Gaiman em Deuses Americanos, os deuses nascem e se alimentam da fé das pessoas. Quando um povo vai para um novo país, ele leva na mala mais que seus pertences, leva consigo sua fé. 

É nos  Estados Unidos, então uma colonia formada por povos dos mais diversos pontos do planeta, que se reúne uma grande variedade de deuses, novas versões dos deuses de outrora, não tão fortes e poderosos quanto os originais, essas versões dividiram por décadas as migalhas de fé, devoção e sacrifícios a eles dedicados.   
Decadentes mas adaptados a nova realidade esses seres, quase nada divinos, tetam sobreviver aos maus tempos. 
"A liberdade, assim como tantos dos deuses queridos pelos norte americanos, é uma estrangeira" (p. 112)
Com o passar do tempo os povos se instalaram e deixaram de ser uma colcha de retalho para se tornarem uma unidade. Criam um estilo de vida, tornam-se povo norte-americano! Deixando então de lado parte das crenças de seus antepassados esse povo moderno cria  seus próprios deuses. 
"O o que mais eu posso fazer? Ninguém sacrifica carneiros ou touros em meu nome. Não me mandam a alma de algum assassino ou escravo, pendurado na forca e devorado pelos corvos. Essas pessoas me criaram e essas pessoas em esqueceram. Agora dou o troco tirando um pouco delas. Não parece justo?" (p. 302)
Uma guerra ameaça irromper entre essa nova geração deuses e a antiga e é em meio a essa confusão que conhecemos o personagem principal, Shadow, um ex-presidiário que sem rumo decide aceitar o emprego oferecido por um senhor excêntrico e misterioso, e que acaba metido em uma confusão fantástica. 


Confesso que o livro é um pouco lento no começo,  só começou a me prender por volta do capítulo 3, e mesmo depois, quando já estava envolvida na trama, senti que o autor teve dificuldade com as cenas de ação, elas pareciam não se encaixar bem, aconteciam inesperadamente e não tinham aquela evolução até o climax como entendo que deve acontecer em uma boa passagem de ação. 


Mesmo com os trechos de ação desajustados a leitura  é muito interessante,  o livro não se foca apenas no núcleo do personagem principal, possui vários sub-núcios que acontecem em paralelo a estória principal, essas estórias tratam da chegada de deuses diversos a America, atuam como contos individuais e acabei gostando mais de alguns desses contos que do próprio universo central. 
" Deuses americanos é na verdade uma história sobre alma dos Estados Unidos sobre o que as pessoas levam para lá sobre o que acharam lá quando chegaram e sobre como as coisas ficaram adormecidas debaixo de tudo isso"
O livro alcança o objetivo de capturar a alma dos Estados Unidos por meio de uma fantasia irônica, cheia de passagens absurdas, cômicas e inesperadas. De um modo geral é um livo muito bom, que compensa a paciência necessária com o começo e com as cenas de ação.





AUTOR

Neil Gaiman nasceu em Hampshire e atualmente vive nos E.U.A. É considerado um dos dez maiores escritores vivos, começou sua carreira como jornalista e públicou mais de 20 livros.  Atua em defesa das bibliotecas e declara seu amor pelos bibliotecários (como não amar? 💕) "Eu não seria quem eu sou sem bibliotecas". Escreve fantasia e é autor também de "Coraline", "Sandman" e "O oceano no fim do caminho", todos super recomendados. Mais informações podem ser obtidas no site oficial do autor.




REFERÊNCIAS

GAIMAN, N. Deuses Americanos. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2016

NEIL GAIMAN. Biographi.  2016. Disponível em: <http://www.neilgaiman.com/About_Neil/Biography> acesso em: out. 2017. 

18 de set. de 2017

O Demonologista - Andrew Pyper

                                                                                                                                                                                                                                                                                                            

"Na noite passada tive o mesmo sonho. Só que não é um sonho. Sei disso porque, quando começa, ainda estou acordada."  São essas as palavras iniciais de O Demonologista, publicado em 2013, traduzido para o português em 2015.  O romance narra a odisseia de um incrédulo e melancólico (autoproclamado) professor de literatura e  especialista em estudos religiosos. Ateu, David tem que lidar com a quase indiscutível possibilidade de  que  tudo aquilo que ele encarou a vida toda como mero simbolismo  seja real. 

A Narrativa de O demonologista é intensa, os acontecimento não são economizados para o final, mudanças rápidas na vida de David acontecem de cara nos primeiros capítulos e acontecimentos constantes e surpreendentes alimentam o texto. 
Simpatizei muito com os personagens, principalmente com David, com a forma como ele encara a situação absurdamente tensa que está vivendo, foi muito fácil para mim estar na pele do personagem. 
Costumeiro capricho da editora Darkside 

O suspense é muito forte no livro, mas as poucas passagens onde o foco é o terror são extremamente bem narradas. Dentre elas a minha favorita acontece quando David tem seu primeiro confronto com um demônio, uma passagem que acontece em uma casa escura na Itália, com um clima tenso e convincente, que para mim foi o bastante para confirmar o talento de Andrew Pyper para o terror. 
É daquelas leituras rápidas, que não se arrastam ou empacam em uma parte menos agitada, o final não é totalmente fechado, embora não seja um desses livros  sem desfecho.  O livro já está sendo adaptado para o cinema e eu estou ansiosa para conferir a adaptação. 










18 de abr. de 2016

Leitura Kindle de Abril : Dias perfeitos - Raphael Montes

Dias perfeitos foi um livro muito diferente do que eu esperava. Como li as cegas, pela capa imaginava algo mais leve e menos perturbador, mas isso não quer dizer que eu não tenha gostado.

O livro acompanha a trajetória de Téo (um psicopata) na batalha pelo que  ele imagina ser o seu primeiro e maior amor ( eu diria obsessão O.o).  

Téo vivia de forma tediosa e pacta, estudava medicina, conversava  as vezes com sua melhor amiga Gertrudes ( um corpo da anatomia ) e se esforçava para reagir emocionalmente as situações como é esperado de uma pessoa comum. 
"Sentia-se fadado ao limbo, à monótona rotina, desprovida de momentos felizes ou tristes. Sua vida era apenas um vazio preenchido por tímidas emoções."
Tudo muda quando ele conhece Clarice, por quem fica obcecado. Ele então decide usar de todos os meios (manipulação,sequestro, assassinato...) para fazer com que Clarice se encaixe nos planos que ele criou para a vida dos dois.
Téo é de um nível de insanidade assustador, acredita nas próprias mentiras, tem um ego extremamente inflamado, não tem nenhum senso de realidade, que faz com que ele cometa atos indescritíveis com  muita frieza e naturalidade. Imaginar que existam pessoas assim, que  talvez convivamos com elas sem nos darmos conta, é perturbador.

"Imaginá-la morta era menos doloroso."
"Tinha a sensação de que vivia num filme e que pessoas do outo lado do mundo o acompanhavam através de câmaras ligadas vinte e quatro horas por dia"
 A leitura fluí muito bem, e é interessante a forma como o autor introduz elementos nacionais, como cantores, autores e cenários de maneira natural, sem que isso pareca forçado ou que fique de certa forma americanizado, como uma tentativa de adaptação, que as vezes vejo em livros e filmes nacionais que abordam a psicopatia. 

Para mim esse livro teve o final mais insano e surpreendente dos últimos tempos. Leitura muito recomendada para 

24 de mar. de 2016

Perdido em Marte - Andy Weir


Perdido em Marte foi o meu primeiro presente de aniversário no ano passado. Uma amiga fez muita propaganda e acabou me dando de presente para garantir que eu realmente fosse ler. Eu adorei o presente, mas pensando no que ela me disse, que esse livro a havia salvado quando não estava bem, guardei a leitura para um outro momento. Estou como muitas coisas agora, e realmente precisava de uma leitura dessas que salvam, Perdido em Marte foi realmente isso.

O próprio titulo em português despensa explicações, é a história de um cara ( um certo Mark Watney) que após ser dado como morto pela tripulação no meio de uma fuga é deixado para trás em Marte, sem comunicação, sem ter como saber se as pessoas faziam alguma ideia de que ele estava vivo, sem comida suficiente para aguentar até a próxima missão prevista para Marte.


O que me fez adorar esse livro é a maneira como o personagem encara essa situação. Ele não culpa os companheiros de viagem por o terem deixado para trás em nenhum momento, ele não faz drama ele não desiste de viver. Ele simplesmente busca, para problema atrás de problema( olha que surgiram vários), uma solução capaz de dar a ele e a Nasa tempo para  pensar em uma fuga/resgate.

O livro é narrado hora por meio do Diário de bordo de Watney, hora acompanhado a equipe da NASA ou os tripulantes da nave Hermes. As parte mais engraçadas são de longe as do Diário de bordo, Mark é um personagem extremante sarcástico  e eu simplesmente não conseguia sentir todo o drama da situação, já que estava ocupada rindo.

Muito interessante também o jeito como o autor simplificou as questões técnicas a ponto de um leigo compreende-las, mas não as ignorou completamente como acontece em certos livros, isso tornou tudo mais crível, e assim fica muito mais fácil sentir empatia, torcer e se desesperar por um personagem.

Não tem como não torcer por um final feliz, assim como não tem como parar de ler. O livro é realmente maravilhoso, quase impossível não gostar.