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18 de set. de 2017

O Demonologista - Andrew Pyper

                                                                                                                                                                                                                                                                                                            

"Na noite passada tive o mesmo sonho. Só que não é um sonho. Sei disso porque, quando começa, ainda estou acordada."  São essas as palavras iniciais de O Demonologista, publicado em 2013, traduzido para o português em 2015.  O romance narra a odisseia de um incrédulo e melancólico (autoproclamado) professor de literatura e  especialista em estudos religiosos. Ateu, David tem que lidar com a quase indiscutível possibilidade de  que  tudo aquilo que ele encarou a vida toda como mero simbolismo  seja real. 

A Narrativa de O demonologista é intensa, os acontecimento não são economizados para o final, mudanças rápidas na vida de David acontecem de cara nos primeiros capítulos e acontecimentos constantes e surpreendentes alimentam o texto. 
Simpatizei muito com os personagens, principalmente com David, com a forma como ele encara a situação absurdamente tensa que está vivendo, foi muito fácil para mim estar na pele do personagem. 
Costumeiro capricho da editora Darkside 

O suspense é muito forte no livro, mas as poucas passagens onde o foco é o terror são extremamente bem narradas. Dentre elas a minha favorita acontece quando David tem seu primeiro confronto com um demônio, uma passagem que acontece em uma casa escura na Itália, com um clima tenso e convincente, que para mim foi o bastante para confirmar o talento de Andrew Pyper para o terror. 
É daquelas leituras rápidas, que não se arrastam ou empacam em uma parte menos agitada, o final não é totalmente fechado, embora não seja um desses livros  sem desfecho.  O livro já está sendo adaptado para o cinema e eu estou ansiosa para conferir a adaptação. 










18 de abr. de 2016

Leitura Kindle de Abril : Dias perfeitos - Raphael Montes

Dias perfeitos foi um livro muito diferente do que eu esperava. Como li as cegas, pela capa imaginava algo mais leve e menos perturbador, mas isso não quer dizer que eu não tenha gostado.

O livro acompanha a trajetória de Téo (um psicopata) na batalha pelo que  ele imagina ser o seu primeiro e maior amor ( eu diria obsessão O.o).  

Téo vivia de forma tediosa e pacta, estudava medicina, conversava  as vezes com sua melhor amiga Gertrudes ( um corpo da anatomia ) e se esforçava para reagir emocionalmente as situações como é esperado de uma pessoa comum. 
"Sentia-se fadado ao limbo, à monótona rotina, desprovida de momentos felizes ou tristes. Sua vida era apenas um vazio preenchido por tímidas emoções."
Tudo muda quando ele conhece Clarice, por quem fica obcecado. Ele então decide usar de todos os meios (manipulação,sequestro, assassinato...) para fazer com que Clarice se encaixe nos planos que ele criou para a vida dos dois.
Téo é de um nível de insanidade assustador, acredita nas próprias mentiras, tem um ego extremamente inflamado, não tem nenhum senso de realidade, que faz com que ele cometa atos indescritíveis com  muita frieza e naturalidade. Imaginar que existam pessoas assim, que  talvez convivamos com elas sem nos darmos conta, é perturbador.

"Imaginá-la morta era menos doloroso."
"Tinha a sensação de que vivia num filme e que pessoas do outo lado do mundo o acompanhavam através de câmaras ligadas vinte e quatro horas por dia"
 A leitura fluí muito bem, e é interessante a forma como o autor introduz elementos nacionais, como cantores, autores e cenários de maneira natural, sem que isso pareca forçado ou que fique de certa forma americanizado, como uma tentativa de adaptação, que as vezes vejo em livros e filmes nacionais que abordam a psicopatia. 

Para mim esse livro teve o final mais insano e surpreendente dos últimos tempos. Leitura muito recomendada para 

6 de abr. de 2016

Horror em Gotas



Horror em gotas é uma coletânea de contos da escritora Karen Alvares. Os contos que compõem o livro foram escritos para um projeto chamado Um Ano de Medo, cuja ideia era promover a publicação de contos de medo todos os dias durante um ano. 

" A morte, como todos sabiam naquele reino, levava os bons e se alimentava dos maus até o último osso".  

"Os covardes tinham um gosto melhor"

Os contos tratam de temáticas diversificadas, alguns buscam o medo que temos do sobrenatural, mas grande parte desses contos são baseados no medo que sentimos de nós mesmos( das coisas que a nossa mente pode criar e executar, sem que haja tempo para nos darmos conta) e também das pessoas que nos rodeiam. 

Senti que em boa parte dos contos a autora ainda estava experimentando coisas e conhecendo a própria escrita, e isso foi bastante interessante. A linguagem dos contos é bem fluida e a leitura rende bastante. Alguns contos são um pouco confusos e em outros não consegui sentir empatia pelos personagens, como foi o caso do conto Invisível, que trata da agonia de uma mãe ao saber que seu filho está em estado crítico em um hospital, mas acredito que isso se deva ao fato de eu não ser mãe. Gostei da grande maioria, justamente por abordarem temáticas cotidianas, que nos assombram todos os dias. 

"Será que morrer era ficar sozinha para sempre?"


"Somos mais vulneráveis quando nos consideramos invencíveis."

O conto Sufocando me causou bastante assombro, me fez lembrar do medo que nós mulheres sentimos todos os dias, quando nos sentimos observadas e perseguidas ( e ainda insistem e dizer que reclamar de assédio é vitimismo). 

Outro que me impressionou bastante foi Focinho de porco, que relata experiencia de uma presa política ao ser torturada todos os dias para trair seus companheiros e seu ideal. 

Mas meu favorito foi O sorriso, não sei bem o motivo, mas me apaixonei pelos personagens, dois garotos diferentes que se tornam grandes amigos e forma como a escuridão da loucura leva um deles embora para sempre.

Outros contos que gostei bastante foram :

Doze
Homem Três 
A caixa mágica
A confissão 
Vermelho vivo e morto
Até o fim
A dona aranha

O livro pode ser adquirido no site da Amazon e está disponível para clientes Kindleunlimited.

30 de mar. de 2016

O médico e o monstro ou " O estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde" - Steverson


O Médico e o Mostro é um clássico de renome indiscutível. A obra menos pretensa e mais famosa de Robert Louis Steverson veio a ele na forma de um sonho, foi escrita em 6 dias e teve duas versões ( a primeira delas queimada pelo autor, após duras críticas de sua esposa).  Ele nem imaginava que esse seria o trabalho de sua vida, a obra pelo qual, já no séc. XXI , ainda seria comentado e discutido.

A Amazon tem disponibilizado já a um tempo, gratuitamente a edição do e-book traduzida por Ana Julia Perrotti-Garcia, um e-book com uma capa muito bonita, uma introdução interessante ( como poucas o são) e aparentemente bem editada. Eu aproveitei então a oportunidade para conhecer esse livro que é tão falado.

Infelizmente não é possível fugir de "spoilers" de um livro tão famoso como esse, então não tem como dizer que esse foi um livro surpreendente, mas seria com certeza se eu não o conhecesse.

A proposta do livro é falar dos experimentos de um certo Dr Jekyll, que decidiu ser a própria cobaia de seus estudo. O livro é narrado por seu advogado e amigo íntimo Mr Utterson, que após receber um estranho testamento de seu amigo começa a suspeitar de sua sanidade e temer por sua segurança, ao mesmo tempo surge Mr Hyde, um homem com uma aparecia repugnante e que causava em todos um medo inexplicável, a quem Jekyll insiste proteger.

Como compreender que o agradável e o repugnante possam coexistir em um único ser? De certa forma o livro fala sobre a nossa eterna luta interna entre o que queremos e o que devemos fazer, entre a nossa personalidade reprimida e aquela que apresentamos todos os dias.

" Meus dois lados eram totalmente sinceros; eu não era mais eu mesmo quando abandonava a contenção e mergulhava na vergonha do que quando eu trabalhava, à luz do dia, para a promoção do conhecimento ou para o alívio da dor e do sofrimento. "
" Das duas naturezas que duelavam no campo de minha consciência, mesmo se pudesse pender corretamente para uma delas, isso ocorreria porque eu era radicalmente ambas."
( Steverson, R. O médico e o monstro)


Após ter descoberto como separar completamente as duas personalidades de seu eu, Jenkyll logo percebe que é muito mais fácil permanecer em sua metade obscura, que ela surge agora sozinha e de maneira inevitável. Penso que isso não aconteça porque o mal é mais forte ou porque é mais fácil ser aquilo que queremos ser, mas sim por essa personalidade ter sido tão duramente reprimida, que cresceu em silencio até  o momento em que já não podia mais ser contida.

Mesmo se tratando de um romance do séc. XIX, tudo o que vive Jenkyll é muito contemporâneo, essa busca por aceitação e por autoconhecimento, que muitas vezes ainda leva a atos quase tão desesperados e irresponsáveis quanto os do médico criado por Steverson. O livro é bem curtinho, e a forma como o livro evolui faz com que seja quase impossível parar de ler.

O livro pode ser comprado ( até o momento por 0,00 ) no site da Amazon clicando aqui.