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Mostrando postagens com marcador Leituras. Mostrar todas as postagens
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20 de abr. de 2016

Book4you - um aplicativo para escolher livros ( e não julgar pela capa).

Book4you   apelidado carinhosamente de Tinder dos livros, é um aplicativo com uma proposta muito interessante.

Após um pequeno cadastro ( é possível se cadastrar utilizando o facebook), o usuário é direcionado para home onde são apresentadas as categorias( "Fritando miolos", "Melhores de 2015", "Para não se ler a noite" e etc). 

Imagem retirado do site < 


Em qualquer uma dessas listas são apresentadas resenhas curtas, sem nenhuma referência ao titulo ou ao autor, a capa do livro tão pouco é apresentada, e assim o usuário tem a oportunidade de escolher livros somente pela temática e a sinopse, de um jeito bem imparcial. 


Acabou o julgamento pela capa ou pelo autor, cria a possibilidade de conhecer lançamentos e de dar uma chance aos clássicos


Nem preciso dizer o quanto amei a categoria "para  não ler a noite" né, mas todas as outras são bem legais e o melhor disso é que, quando selecionamos uma sinopse como desejada ela vai para uma listinha de leitura que podemos consultar sempre e que ainda nos direciona em sites onde podemos adquirir o livro.


Essa foi a minha primeira sinopse: 

"Durante as férias escolares de 1958, em Derry, pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança e... do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar."

Alguém aí já matou que livro é esse e leu? Por que eu já li e gostei muito!!!


Aproveitem a dica para encher ainda mais estante de livros, já que eu pretendo incluir uma leitura tirada do site todos os meses na minha listinha de leituras "Kindle".




9 de abr. de 2016

Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez

Finalmente estou podendo escrever sobre esse livro incrível.

Quando eu tinha uns 12 anos "Memórias de minhas putas tristes", também de Gabriel Garcia Márquez veio de alguma forma parar na minha casa, como alguns livros vinham, por as pessoas saberem que eu gostava muito de ler. Eu simplesmente detestei o livro, tanto que emprestei para que uma amiga me dissesse o quanto ele era ruim. Essa amiga nunca mais me devolveu o livro. Eu não sei se realmente não gostei do livro ou se ainda não tinha entendimento o bastante para lidar com a obra, mas isso me deixou por muito tempo longe de Cem anos de Solidão.

Esse ano com a minha listinha de meta acabei dando mais uma chace e simplesmente me apaixonei. Pela escrita, pelos personagens e pelo conjunto todo.


O livro narra as desventuras dos Buendía, desde a fundação da vila onde viviam (Macondo) até o final quando a natureza a toma de volta.
Nesse família os nomes e as histórias se repetem. Narra as paixões desmedidas pelas descobertas, a guerra, a tecnologia e os amores constantemente frustrados de uma família condenada a obsessão, a loucura e a solidão.


" Talvez fosse esse entrelaçado estaturas, nomes e gênios que fez Úrsula suspeitar que estavam desbaratados desde a infância."


" É como se o tempo desse voltas redondas e tivéssemos voltado ao principio" 


"Os anos agora já não chegam como antes" 

O enredo é tão bem construído, a mescla entre realidade e fantasia é tão equilibrada que não consegui dividir meu tempo em duas leituras como costumo fazer. Cem anos de Solidão é um livro com tantos detalhes que uma única leitura não basta, pode ser entendido de tantas formas que seria maravilhoso lê-lo de tempos em tempos só para captar cada um desses detalhes.

Um dos melhores livros que li na vida.

17 de mar. de 2016

O Homem do Castelo Alto - Philip K. Dick.

O Homem do Castelo Alto é considerada a obra-prima do escritor americano de Ficção Científica Philip Kindred Dick. Como na maioria de suas obras o autor trata nesse romance das grandes dualidades que o incomodaram ao longo de sua vida : O real e o não real, o estático e o mutável, o homem e a maquina e até mesmo o yin e o yang.

Em uma realidade alternativa, a segunda guerra mundial obteve um desfecho diferente, no qual alemães e japoneses venceram a guera. O resto do mundo passou a ser subjugado a essas duas potências, e o plano de extermínio nazista atingiu a África, dizimando a população e o continente. Nessa versão de mundo vivem um vendedor de relíquias norte-americanas, um judeu disfarçado que fabrica falsas relíquias e sua esposa, um agente secreto alemão, um escritor de um polêmico livro ( que vive em um castelo alto), e os ouros personagens que poderemos acompanhar ao longo da narrativa.

Confesso que fiquei um pouco perdida no começo, a narrativa não é tão fluente como em Realidades Adaptadas ou em Fluam Minhas Lágrimas, disse o policial, outros livros do autor que li e gostei muito. Os personagens foram apresentados sem muitas descrições, e como são homens em sua maioria, eu os confundi e perdi o fio da meada.

Depois de me familiarizar com os personagens e com o ambiente, tudo ficou bem mais claro e ai sim comecei a entender o brilhantismo dessa obra. Da maneira como os fatos se desenrolaram o autor deixou clara a sua visão de que cada atitude nossa é capaz de influenciar, em uma reação em cadeia ( como um efeito borboleta) a vida de outras pessoas e até mesmo o destino do próprio mundo.  A temática da segunda guerra e desse universo alternativo na verdade foi bem menos explorada pelo autor do que eu esperava, ele faz breves descrições, mas na verdade o foco está na vida dos próprios personagens e em seus destinos.

Nesse livros, assim como nos outros, o final foi criado para nos fazer questionar o quanto do mundo que nos cerca é real, o quanto daquilo realmente existe e em que proporção tudo o que vivemos é manipulado e falso. Fiquei um pouco decepcionada, mas acho que criei muitas expectativas, o livro é realmente muito bom, de uma sensibilidade incrível e fruto de uma imaginação extremamente fértil, mas acho que não é capaz de representar, por si só, a genialidade do autor como escritor de FC como outros livros dele o são.

É importante falar dessas novas edições da editora Aleph, que estão trazendo grandes nomes da Ficção Cientifica de volta para as livrarias, eu particularmente já fiz coleção dos livros do K. Dick, com essas capas malucas que dão bastante tontura, e estou aproveitando para conhecer novos autores também, os livros tem folhas amareladas, com bom espaçamento. A única coisa que me incomodou foi o fato de os títulos dos livros nas capas estarem em um adesivo, que em um dos meus já está apagando.

16 de dez. de 2015

O Lado Bom da Vida.

Quando um homem casado e financeiramente independente tem um surto, após algo que nem mesmo ele se lembra, e perde não só a sua estabilidade mental, mas a esposa, os bens e a independência,a história que retrata a sua ludta para reconquistar o seu lugar no mundo tem tudo para ser a mais triste das histórias. Mas, mesmo contando a vida desse homem, que perdeu tudo, o lado bom da vida não luta para ser o mais trágicos dos romances.

Pat, o personagem principal, acaba de reconquistar a sua liberdade, ele não sabe bem quanto to tempo ficou no "lugar ruim", e nem o que se passou nos dias que antecederam a sua internação, ou durante todo esse período, ele nem sabe quanto tempo ficou lá. Mas ele tem certeza de uma coisa, seu maior objetivo é reconquistar o amor de sua mulher.

Ele e a mulher estão impedidos de se ver judicialmente e então Pat encara esse tempo em que estão separados como um espaço, a ele concedido, para se tornar o Homem melhor.

Eu confesso que fiquei apaixonada pelo personagem, com toda a sua inocência com relação a vida, em sua dificuldade para entender novamente como o mundo funciona. Torci por ele o livro todo, não para que ele reconquistasse a sua mulher, mas para que reconquistasse sua independência e os laços afetivos que se afrouxaram com a sua ausência.

O livro é repleto de cenas ilarias, e mesmo as situações mais tensas, quando narradas sobre os olhares de Pat se tornam leves e engraçadas, por que agora ele vê apenas o lado bom da vida.
Ela balança a cabeça e aponta para o televisor.

"A tela está rachada e parece uma teia de aranha.
— O que aconteceu?
— Seu pai quebrou a tela da TV com o abajur de leitura.
— Porque os Eagles perderam?
— Não. Na verdade, ele fez isso quando os Giants empataram
o jogo no final do último quarto. Seu pai teve de assistir à derrota
dos Eagles na televisão do dormitório — explica minha mãe." ( Quick, M,2004.)" 



Tiffany também passou por algo que a traumatizou para sempre, depois da morte do marido ela passou a ser reclusa, manipuladora e instavel.  O surgimento da amizade improvável, entre esses dois seres que já perderam tudo o que possuíam, é maravilhoso de se acompanhar.

O livro fala muito sobre a ridicularização da depressão, de como essa doença, mesmo sendo uma das que mais mata, ainda é subestimada e como as pessoas que a possuem são ridicularizadas. Fala ainda de superação, de aceitação e de como o apoio de amigos é importante na nossa vida.
"— Se Terrell Owens está realmente deprimido ou mentalmente instável, por que as pessoas que eu amo usam isso como uma desculpa para falar mal dele? " ( Quick, M,2004.) "

Essa é uma das poucas capas de filme que eu achei realmente bonita, adoro como os atores estão sorrindo, e como as frases impressas entre os dois representam bem o livro. O filme é bem legal, mas para variar, o livro passa uma emoção única.

Para se ler de uma vez só, impossível de largar, e capaz de causar um ressaca literária e tanto.


Silo - Uma distopia sobre a essência humana.

E se tudo o que você conhecesse do mundo se resumisse aos muitos andares de um único silo? E se para todas as pessoas a vida lá fora fosse impossível, e o universo se resumisse a convivência eterna com pessoas de uma unica cidade subterrânea?

Essa é a proposta do livro Silo, uma distopia muito bem escrita, com uma trama bem legal, na qual o desenrolar da história e as apresentações do universo criado pelo autor são misturados em uma dosagem perfeita.

Um Silo, na concepção atual, é um grande deposito para grão, utilizado para mante-los em boas condições até o momento da utilização/ venda.

O livro acompanha a vida de alguns moradores desse Silo, que é um entre muitos em uma conspiração mundial para criar uma sicidade perfeita. Conspiração essa que envolveu o confinamento de milhares de pessoas e a destruição da vida na terra.

Eu vi muitas críticas negativas com relação a escrita do autor, mas eu realmente gostei , achei a leitura tranquila. Eu fiquei bastante surpresa com o fato de o livro ter 500 páginas,mas elas passaram tão rápido que quase nem notei. A edição da Intrinsica é bonita, com letras grandes, um bom espaçamento e folhas amareladas, o que ajudou a tornar a leitura agradável.

A personagem principal tem uma personalidade marcante, e desperta bastante empatia, enquanto os vilões na verdade são pessoas com uma visão de princípios distorcida e que não se imagina como um vilão, mas sim como um salvador da vida no silo.

Uma das minhas passagens favoritas é quando um dos personagens tenta explicar a metáfora do Silo:
" — Essas construções — apontou ele para o que pareciam latas brancas apoiadas no solo — são os silos. Guardam as sementes para períodos difíceis. Até quando o tempo ficar bom de novo. Solo olhou para Juliette. Estavam a menos de um metro de distância, e ela podia ver as rugas ao redor dos olhos dele, podia ver o quanto a barba escondia sua idade.
— Não estou entendendo bem o que você está tentando dizer — falou ela.
Solo apontou para a mulher e depois para o próprio peito.
— Nós somos as sementes — disse ele. — Isto é um silo. — Eles nos botaram aqui para os períodos difíceis.
— Quem? Quem nos botou aqui? Que períodos difíceis?
Ele deu de ombros. 
— Mas não vai funcionar. — Solo sacudiu a cabeça, depois sentou no chão e olhou para as fotos naquele livro enorme. — Não é possível guardar sementes por tanto tempo. Não no escuro, assim. Não mesmo.
Ele ergueu o olhar e mordeu o lábio. Seus olhos estavam cheios de lágrimas.
— Sementes não enlouquecem — continuou. — Não. Elas têm dias ruins e muitos diasbons, mas isso não importa. Se ficam presas e nunca são usadas... por maior que seja aquantidade que você enterre, acontece o que acontece com sementes que ficam guardadas pormuito tempo... " ( Silo. H. Howet. P. 306). 

14 de dez. de 2015

O Curioso Caso de Benjamin Button e outros Contos da Era do Jazz


O conto, que poderia muito bem render um belo romance, é de autoria de F. Scott Fitzgerald, foi lançado originalmente em uma coletânea de contos, organizada pelo próprio autor, sob o maravilho titulo de Seis contos da Era do Jazz.

Um livro com uma linda capa azul, que com esse titulo me chamou a atenção em uma dessas feiras itinerantes. Comprei sem saber bem o que estava comprando, julgando o livro inteiramente pela capa, foi só chegando em casa, com mais calma é que compreendi o maravilhoso negocio que havia feito.

O conto que deu origem ao longo filme, possui cerca de 30 páginas, e narra uma história mais cômica e menos romântica  que a do filme. Benjamin  não nasceu apenas velho no que diz respeito a sua aparência, mas nasceu com um alma de um ancião septuagenário, uma longa barba e um humor tipico da terceira idade.

Esse"bebe" nascido em uma família com certa posição social, é tudo menos um tipico bebe burgues. Os pais, mesmo atentos a suas "necessidades especiais" tendem a trata-lo como se fosse uma criança normal, muitas vezes o obrigando a realizar feitos ridículos e enfadonhos, o maior conforto do "bebê" é encontrado ao lado do avô, que se revelou um sensato companheiro de conversa.

O tempo passa e a vida de Butten segue o processo inverso a de qualquer homem normal, ele realiza feitos incríveis nos anos em que a sua idade real e sua idade cronológica se encontram, e depois volta ao processo de escandalização e pré julgamento sofridos nas primeiras idades de sua vida. Muitas vezes tratado como se sua condição fosse uma opção por ele realizada, recebendo julgamentos dos pais, da esposa e finalmente do filho, a vida de Buttun chega ao fim no quente colo da sua jovem Babá.

O mais interessante nisso é pensar em como somos obrigados agir da maneira como esperam , de acordo com nossa idade, sexo e condição social. Como essas taxações limitam o desenvolvimento de nossas personalidades e nos causa sofrimento.Como somos julgados por algo que está alem da nossa escolha, que é parte do que somo.

O livro como um todo é muito gostoso de se ler e tem outros contos tão maravilhosos como o O Curioso Caso de Benjamin Button. Os outros contos são :

  • O boa-Vida; 
  • As costas do camelo; 
  • Tarquínio de Cheapside; 
  • " Ó feiticeira ruiva"; O resíduo da felicidade. 
  • O conciliador; 
  • Sangue ardente, sangue frio; 
  • A soneca de Gretchen.

7 de dez. de 2015

Ubik

"Se você está se sentindo no fundo do poço por causa das preocupações com dinheiro, fale com a moça da Ubik Poupanças & Empréstimos. Ela acaba com a dor de ser devedor. Digamos, por exemplo, que você obtenha 59 póscreds num empréstimo, pagando apenas os juros. Vejamos, o total será de... "

DICK, Philip K.. UbikSão Paulo : Editora Aleph, 2014.
k. Dick foi um gênio dos finais surpreendentes e das grandes reviravoltas. Em Ubik ele manteve este delicioso costume, e não decepcionou no quesito surpresa.Fez me sentir a mais lerda das leitoras, tentando, em vão, desvendar os mistérios da trama.

Não sabemos o que acontece depois que alguém morre, já que ninguém foi capaz de voltar para contar, mas no universo de Ubik uma maneira de manter uma parte da alma dos mortos acessível por um certo tempo foi desenvolvida, os mortos são colocados em um estado chamado meia vida, onde vivem uma especie de realidade paralela, mas podem de tempos em tempos serem chamados a nossa realidade para conversarem com seus entes queridos.  Isso tornou possível compreender questões até então obscuras e  comprovar  teorias como a do renascimento, mas a "meia-vida" ainda é uma novidade que guarda muitos segredos.

Nessa nova sociedade, tecnológica e cientificamente avançada um homem incapaz de administrar as próprias finanças, preso em uma sociedade na qual  é necessário pagar um "pedágio" a porta da sua própria casa para que ela permita a sua saída, se vê inesperadamente em uma situação de liderança que envolve o futuro da empresa onde trabalha,além  de sua vida e de seus colegas de trabalho.

 Quem está morto e quem está vivo, quem ou o que é responsável pelos recentes e desconcertantes acontecimentos que agora fazem parte da vida dos funcionários de uma empresa criada para proteger a mente e a vida das pessoas dos poderes psicológicos desenvolvidos por uma parte da população? Ou ainda o que essa empresa Ubik,que produz de lamina de barbear a produto milagrosos para os cabelos tem a ver com essa loucura toda?

Esses são alguns dos questionamentos que tentei em vão responder ao longo da leitura,mas que só pude compreender no final. Uma história rápida e impossível de abandonar. O plano de fundo construído para esse, e muitos dos livros de k. Dick é genial, uma critica social ao progresso desmedido e ao mesmo tempo as catástrofes históricas. Representando um futuro onde é possível, por exemplo, realizar chamadas, não só por voz, mas por vídeo (alguém conhece algo parecido??) onde boa parte dos serviços oferecidos é realizado por maquinas pré- programadas, onde o homem está colonizando até espaço. Tudo isso pensado para os anos de 1990.

Ainda não colonizamos o espaço mas muitos dos elementos da obra de K. Dick estão presentes no nosso dia a dia e isso só torna a coisa toda mais fascinante.

"Eu sou Ubik. Antes que o universo fosse, eu sou. Eu fiz os sóis. Eu fiz os mundos. Eu criei as vidas e os lugares que elas habitam. Eu as transfiro para cá, eu as ponho ali. Elas seguem minhas ordens, fazem o que eu mando. Eu sou o verbo e meu nome nunca é dito, o nome que ninguém conhece. Eu sou chamado de Ubik, mas este não é o meu nome. Eu Sou. Eu Sempre serei."

K. Dick é de longe o meu autor de Ficção Científica favorito, e isso só se confirmou com a leitura de Ubik, os questionamentos e as constantes inquietações do autor com relação ao futuro da sociedade são impressionantes. Recomendo também a  leitura de Fluam minhas lágrimas, disse o policial, do mesmo autor, que é um livro fascinante, que foi meu primeiro contato com livros do autor.


23 de out. de 2015

A NOITE DOS TEMPOS - René Barjavel


 "  A humanidade, com um pouco mais de barulho, esforçava-se para esquecer o que acabava de compreender olhando aqueles dois que jaziam no polo: a que ponto ela era antiga, cansada até mesmo nos seus mais belos adolescentes." ( p 66)






E se não fossemos o topo da cadeia evolutiva,se fossemos apenas mais uma versão da humanidade correndo contra a natureza humana para tentar alcançar o topo? E se muitos antes de nós já tivessem repetido os mesmos erros, com apenas pequenas diferenças? O que a descoberta desse final ao qual conduz o caminho que estamos trilhando poderia causar ?
Esses são alguns dos questionamentos que cercam a leitura de a noite dos tempos. O titulo remete a descoberta de uma antiga civilização, que enterrada sobre o pólo aguarda silenciosamente a sua descoberta. Uma equipe de exploração localiza e desenterra do frio quase absoluto dois espécimes, um homem e uma mulher, que são mantidos em complicados equipamentos desde a noite dos tempos. A reanimação deles pode trazer a tona segredos científicos capazes de acabar com a doença e a fome e também  capazes de criar armas que podem destruir o planeta inteiro de uma unica vez.

Cada detalhe da descoberta é anunciado e divido com o mundo por meio da mídia, e logo transforma em jogo politico e alimento para o capitalismo.

Uma das tecnologias trazidas pelo autor para esse centro de pesquisa é uma super tradutora que traduz 7 línguas simultaneamente. Quando essa tradutora para os homens também param :






 " babel tinha caido novamente sobre nós"








Esse livro foi um verdadeiro achado, não posso imaginar passar uma vida toda sem  lê-lo.

Uma obra que trata das consequências de uma grande descoberta. Com um desfecho digno de Shakespeare.

O autor não economiza na ação, não guarda situações para o final em uma tentativa de alongar a obra, os fatos vão acontecendo bem rápido e as vezes uma situação que eu imaginava que tomaria 5 páginas é descrita em um parágrafo, enquanto outras para o qual eu imaginava que não seria dada atenção tomam capítulos inteiros. O final é divino, mas o desenrolar da história não fica para trás.
Eu  raramente não quero que um livro acabe.Gosto quando as histórias acabam mesmo que estou
adorando um livro. Procuro pensar que a palavra fim significa a oportunidade de um novo começo, mas confesso que não queria que esse livro acabasse e quando acabou eu simplesmente precisava de mais.

Eu fiquei tão apaixonada que aproveitei para comprar A noite dos Tempos ( já que li o da biblioteca) e Devastação, do mesmo autor, que estavam com um preço bem legal na estante virtual.

" Era a imagem silenciosa da destruição do mundo, proposta aos homens pelos homens"( p225)





15 de out. de 2015

As Crises de Seldon ou Fundação de Isaac Asimov.

Hoje eu finalmente tive um tempinho para terminar a delícia de livro que é FUNDAÇÃO,um clássico da ficção cientifica de Isaac Asimov.

Esse já é o meu segundo livro do autor, ele foi comprado depois da minha experiencia incrível com "Eu, Robô", que foi um leitura extremamente divertida, cheia de um humor ácido e que propõe um visão futurística bem interessante.

Eu robô é, como diz a sua sinopse inclusive, um livro de contos correlacionados,mas nele os eventos não ocorrem com um espessamento muito grande de tempo e as histórias possibilitam acompanhar os mesmos personagens ao longo de seu desenvolvimento, de maneira que me senti muito mais lendo um romance do que contos. Já fundação é um livro marcado por grandes saltos cronológicos  o que gerou, para mim, uma sensação de estar lendo contos na verdade.

Nesse futuro galaxias inteiras povoadas e governadas por um Império acomodado e que ml sabe estar a beira de um colapso. Pensar em uma superpopulação humana tão grande ao ponto de tornar possível a comparação de planetas inteiros com prefeituras e de galaxias com reinos  é impressionante.

O livro acompanha sempre um personagem que tem um importante papel de liderança no desenvolvimento da fundação. Começando com Gaal Dornick, um matemático de um planeta do interior  da galáxia que vem ao planeta capital do Império para aceitar um trabalho oferecido por um estudioso importante e misterioso, Hari Seldon, que propõe a criação de uma Fundação Científica. Dornick ainda não sabe mas vai se enfiar na maior confusão da galáxia.

O próximo personagem é o meu favorito até o momento, Hardin. Para acompanhá-lo a história tem um salto de quase 50 anos e nos leva a uma fundação desenvolvida que enfrenta uma grande crise, a primeira crise das muitas previstas pelo idealizador da fundação Seldon, para lidar com a crise, Hardin idealiza e coloca em prática uma religião como meio de controle das massas, que é responsável por manter uma paz  por um século.

O ultimo personagem marcante é Mallow, um comerciante com ambições politicas que percebe a chegada de uma nova crise Seldon  e vê no comercio a sua unica solução.

O livro apresenta a construção de mitos históricos. Aponta as estratégias de governo como sendo marcadas por uma validade, demonstrando que a insistência na manutenção de uma política ultrapassada ou inapropriada para o momento histórico é tão responsável pela ruína de uma sociedade quanto a acomodação e a ganancia.


Acompanhar o surgimento de grandes nomes políticos e sua transformação em mitos que merecem uma de adoração semi-religiosa ( como ocorre com Seldon) também foi bem legal.


Acabei me questionando se  a terra  não estaria vivendo um das crises de Seldon onde a povoação de outros mundos seria a única solução.


A ideia de que esse livro tenha sido escrito a tanto tempo, em 1951,  me parece inconcebível.É um livro muito pertinente e sua visão de futuro ainda pode ser considerada moderna.



" A violência é o último refúgio do incompetente"



13 de out. de 2015

Preconceito literário e os livros aos quais não demos uma chance


Hoje baixei novamente o e-book de O Príncipe de Westeros,  uma coletânea de contos de diversos gêneros, agrupados por George R.R Martin. Comecei a ler o prefácio novamente depois de descobrir que havia pulado um conto inteiro na minha tentativa anterior de leitura ( não recomendo tablets para ler, para mim foi um completo desastre).

Gostaria de compartilhar então esse trecho brilhante de um dos autores mais marcantes da minha breve vida de leitora :

"Eu comprava todo meu material de leitura em bancas de jornal e nas “lojas de doces” de esquina, em expositores de arame. Aquelas edições econômicas nos expositores não eram separadas por gênero. Tudo era amontoado, um exemplar desse, dois exemplares daquele. Era possível encontrar Os irmãos Karamazov espremido entre um romance sobre enfermeiras e a última aventura de Mike Hammer, de Mickey Spillane. Dorothy Parker e Dorothy Sayers dividiam o espaço com Ralph Ellison e J. D. Salinger. Max Brand ficava ao lado de Barbara Cartland. A. E. van Vogt, P. G. Wodehouse e H. P. Lovecraft amontoavam-se com F. Scott Fitzgerald. Livro de mistério, faroestes, góticos, histórias de fantasma, clássicos da literatura inglesa, os últimos romances “literários” contemporâneos e, claro, ficção científica, fantasia e horror — era possível encontrar tudo isso naquele expositor de arame. 
Eu gostava das coisas daquele jeito. E ainda gosto. Mas, nas décadas que vieram (décadas demais, temo eu), o setor editorial mudou, as cadeias de livrarias se multiplicaram e as barreiras de gênero se fortaleceram. Acho uma pena. Os livros deveriam ampliar nossa visão, nos levar a lugares onde nunca estivemos e mostrar coisas que nunca vimos, expandir nossos horizontes e nossa maneira de olhar o mundo. Limitar a leitura a um único gênero acaba com essa missão. Também nos limita, nos torna menores. Para mim, tanto no passado como agora, parece haver boas e más histórias, e essa era e ainda é a única distinção que realmente importa."
Martin, G. R.R. O Principe de Westeros e outras histórias. Ed. Saída de Emergência. 2015.


Esse trecho tem uma relação muito forte com minha filosofia de vida literária. Acho que mesmo nessa segunda leitura,apreciei cada palavra balando a cabeça em concordância.

O que existe são boas histórias, se o que estamos lendo nos faz viajar,por que devemos nos preocupar em classificar essas leituras e taxa-las por seu conteúdo, definindo-as em uma relação hierárquica?
Eu sempre li de tudo, e quando digo isso não estou exagerando, em momentos desesperadores de tédio devo ter lido uma quantidade enorme de panfletos e placas. A leitura sempre foi minha melhor fuga, meu melhor lazer e a forma mais fácil para que eu aprendesse alguma coisa ( tudo o que eu não podia aprender lendo não foi.  provavelmente, aprendido até hoje).
Acho que é isso que as pessoas precisam ter em mente antes de empurrar seu preconceito literários em outros leitores. Existem leituras diferentes para momentos diferentes. O que existe de errado em admirar uma história capaz de proporcionar horas de entretenimento prazeroso?  Existem é claro leituras mais densas, muitas vezes tão prazerosas quanto as mais leves, mas que nos momentos em que a minha cabeça não estava boa, depois de uma maratona de estudos ou uma discussão no trabalho e etc ,não entrariam na minha cabeça, nesses momentos eu  apenas queria rir ou me prender em um suspensa daqueles impossíveis de largar  e acho que não existe nada de errado nisso.

Nem todo clássico vai me agradar ou acrescentar algo na minha vida, nem todo clássico é tão denso e complicado como as pessoas insistem em dizer. Acho que elas só dizem isso para garantir o lugar delas no trono dos "cultos". Assim como nem todo Best Seller, infanto-juvenil..., é vazio e provido apenas de entretenimento, muitos tem sim algo a acrescentar ( ouso dizer que a maioria tem). Mas nem todos são tão legais ou tem uma linguagem agradável e etc. Assim como não dá para julgar um livro pela capa, não da para julgar um livro pelo seu gênero, autor ou pela sua crítica.

Meu lema como leitora sempre foi : É ler para ver.

50 tons de cinza não funcionou para mim( e eu tentei os dois primeiros inclusive), mas Percy Jackson foi uma das minha melhores leituras. Passei um bom tempo fugindo de Crime e Castigo com medo de não entender nada e esse também foi um livro maravilhoso.

Quem nunca se arriscou a fazer uma leitura as cegas sem nem mesmo saber a sinopse não sabe a sensação incrível que esta perdendo. Se eu pudesse não leria nem uma, apenas para garantir a surpresa, Adoro ler a resenha que as pessoas postam, mas faço isso geralmente com livros que eu já li ou quando estou em dúvida sobre comprar o físico ou ficar com a cópia digital, Sinto uma necessidade muito grande de ter com quem conversar a respeito de minhas leituras.Ler é a coisa que eu mais amo na vida, não pode então existir um assunto que me interesse mais.

Sugiro então que todos que deem uma chance à aquele livro para o qual vocês torceram  o nariz. Pode ser que acabem odiando mesmo,mas não irão sofrer do mal da duvida, nem farão caça às bruxas com  livro do qual  nunca leram nem um parágrafo.

Temos o direito de não gostar, mas é muito importante saber o motivo, e para saber só lendo.


Minha coleção, no maior estilo expositor de arame!!!


2 de out. de 2015

Ninguém - quando as vantagens de ser invisível podem ser realmente tentadoras

Hoje, passeando pelo twitter vi um tweet da Karen Alveres, falando que o e-book de "Ninguém" estava de graça na Amazon.( Comprar aqui !).

 O titulo chamou minha atenção de cara, baixei sem nem querer saber os detalhe. De madrugada, deitada para dormir não consegui pegar no sono e acabei pegando o kindle. La estava "Ninguém", abri apenas para conferir e tive o enorme prazer de descobrir que se tratava de um conto. Em poucos minutos eu estava boquiaberta com esse conto tão bem colocado. Realmente me senti angustiada, não pelo personagem, que confessa alimentar seu sadismo com a perversão dos outros, mas com a situação toda.

Tudo o que a autora deixou subentendido eu entendi da pior forma possível, da mais dolorosa e desesperadora forma. Um conto que não deve ser lido por alguém que está lendo para encontrar o sono, não por que causa medo, mas pelas reflexões que levanta. Até onde o entretenimento é somente entretenimento, o que estamos dispostos a pagar por ele?
Deu para notar que adorei o conto né? Já até aproveitei a promoção da Amazon e investi em " Alameda dos Pesadelos, da mesma autora. Se o Tempo e a lista de livros me permitir falo dele em breve.

30 de set. de 2015

A Estrada da Noite - Um livro que vai além de uma estória de terror.

Mais cedo  ou mais tarde os mortos nos alcançam...

Mais cedo ou mais tarde os nossos problemas e segredo também irão nos alcançar. Essa é uma história de personagens perturbados, com passados dolorosos, com os quais são incapazes de lidar. Sobre como as coisas que nos acontecem ao longo da vida nos transformam de maneira irreversível. 

Cada um dos personagens tem um passado tão doloroso e está tão mentalmente instalável que é difícil eleger um que não tenha problemas. Os cachorros talvez.

O personagem principal, cinquentão divorciado, filho de uma pai violento e manipulador e uma mãe apática e esgotada emocionalmente, astro do rock, cheio de manias estranhas e extravagantes, é perseguido pelo fantasma do padastro da ex namorada que comprou por "acaso" em um site tipo eBay.A ex namorada, morta, com histórico de depressão profunda.O assistente que encontrou  a mãe  enforcada na dispensa. A namorada atual é uma ex dançarina de boate, com um histórico de abuso de drogas, uma tentativa de suicídio nas costas.

Acho que já é o bastante para entender o nível da coisa.

Esse livro vai muito além de uma estória de fantasma, aliás se o fantasma não existisse provavelmente a história poderia continuar sendo tão boa quanto.

O padastro, o homem morto, o dono do paletó, também é  manipulador e dissimulado. Capaz de fazesr com que as pessoas viverem a realidade que ele deseja que elas vivam. Quando vivo não era diferente, e já lidava com questões sobrenaturais, o que facilitou um bocado sua capacidade de infernizar depois de morto.

Esse é o meu segundo livro do Joe Hill. Confesso que adie bastante a sua leitura, o motivo : estava sobre o efeito de O Pacto, que é um livro perfeito, onde o autor soube mesclar cenas sarcásticas de humor, com uma boa doze de suspense e uma pouco de profundidade também. Isso me afastou de A Estrada da Noite, por que não queria fazer comparações, já que o outro livro começaria com uma grande desvantagem. Acredito que isso tenha sido bom, tenho quase certeza  pois pude enxergar as qualidade do livro e não buscar as qualidade que me prederam a outra obra.
Os dois livros são bem diferentes, diferente nem sempre significa ruim, mas quando ainda estou em uma daquelas ressacas literárias, só consigo enxergar as qualidades do livro anterior.
Agora com certeza vou investir em mais um livro do Joe Hill, já estou de olho em Nosferatu ( por que eu já não tenho um milhão de livros para ler, né ;)

Diferente de O Pacto esse é um livro um pouco mais sério, com pouquíssimas cenas de humor ( consigo me lembrar de duas ao longo da leitura). Aborda questões complicadas, como a culpabilização da vitima, como a degradação do ser humano, a necessidade de se acreditar que aquilo que esta sendo feito não é uma coisa ruim,de impor ao outro o seu sofrimento e  uma culpa que é só sua. 

Muitas vezes finais felizes acabam sendo clichês, uma expansão do " viveram felizes para sempre", nesse livro um final feliz foi bem vindo e muito aguardado. 

Adorei a forma como o autor transforma nossos animais de estimação em proteção. Inicialmente tinha visto a ideia com maus olhos mas no fim das contas acabei gostando, principalmente quando o autor explicita que apenas os laços entre o dono e o animal são capazes de oferecer proteção :
" Acho que fiz você acreditar em algo errado a respeito dos cães. Nem todo cão serve. Eles tem que ser meus. Sabe aquela história de toda feiticeira ter um gato preto ? "
O livro é bem interessante, embora o começo seja  um pouco fraco e não demonstra o potencial que tem para oferecer da metade para frente.


Minha edição é a versão econômica e na época
saiu por 9.90






28 de set. de 2015

O Hobbit e a Tilogia Senhor dos Anéis - Uma jornada mais que esperada


Sexta- feira passada eu decidi me dar uma folga de todos os compromissos da faculdade e me dedicar única e exclusivamente a leitura do último livro da trilogia O Senhor dos Anéis.
Como eu nunca tinha lido Tolkien e minha experiência com os filmes já estavam bem apagadinha na minha memória eu acabei comprando os 4 livros no final do ano passado, e até abril desse ano eles estavam na estante me olhando feio por ter deixado vários livros cortarem a sua frente na fila.

Decidi então  começar por O Hobbit, não só por ser a ordem cronológica da história mas também por que sempre escutei que ele era uma leitura mais leve e que O Senhor dos anéis, e que esse era muito maçante e cansativo.

É um livro realmente divertido, mesmo com todos os perigos e a ação que o rodeiam, o clima  fica tenso apenas em alguma situações, na maioria das vezes Bilbo torna até essas situações divertidas . A viajem Épica é bem longa e na companhia dos anões e algumas vezes de Gandalf ( que tem o incrível dom de desaparecer ) Bilbo percorre uma longa jornada até a Montanha Solitária.
Só posso dizer que amei ler O Hobbit, que dei boas risadas principalmente na parte em que o Gollum e Bilbo se encontraram.
A leitura é fantástica, os cenários são incrivelmente bem descritos e até o principal vilão - Smalg - chega a ser  mais divertido que o próprio Bilbo. Muita gente não gostou do final da aventura, pela pouca participação dos personagens principais no desfecho, eu ainda assim adorei !!!

A jornada de Bilbo, mesmo com os perigos que ele  correu não chega nem aos pés da desesperadora missão do pobre Frodo.

Com aquele falatório sobre o livros ser difícil e maçante eu acabei deixando para começar depois, costumo deixar as leituras mais difíceis para as férias e tal. Mas não resisti, uma saudade enorme da narrativa de Tolkien se abateu sobre mim e então fiz a sábia escolha de me enredar pela incrível jornada de Frodo e da Sociedade do Anel. 

Mas que livro é esse ???
Os personagens são todos incríveis, fica até difícil de escolher um favorito !!

Acho que em meio a tantos personagens, o próprio Frodo fica meio apagado, deixando em evidência apenas o seu sofrimento em carregar um fardo tão pesado.

O Amor de Sam pelo seu mestre é tão grande e demonstrado em tantos momentos que acabei amando Sam com a mesma proporção, seus inúmeros sacrifícios e sua disposição para acompanhar o amigo até na hora da morte é contagiante. Uma personagem que ao mesmo tempo esta disposto a morrer mas não está disposto a abandonar um pônei ou as suas preciosas panelas!!

Falando em precioso, eu adoro o pobre e traiçoeiro Gollum, com todas as suas inquietações internas e seus comentários sarcásticos, a sua participação na história é fundamental, sem ele tudo seria trágico e solene de mais, o personagem mentalmente desajustado causou boas cenas de humor.




Adoro Aragorn por motivos de - Ah esse homem <3



Metade desses marcadores são de partes da Éowin, é muito amor
*.*
Outra personagem que me marcou bastante nessa jornada foi Éowin, com sua luta desesperada para conquistar um lugar de glória e respeito que por muitos e muitos séculos foi ( e ainda é muitas vezes) negado as mulheres. Em algum momento a personagem Gandalf inclusive diz algo como :Não a julguem por querer garantir seu lugar em toda essa história. Achei essa participação feminina fantástica, já que os livros de Tolkien em geral me pareceram desfalcados nesse quesito.



Então  avancei na leitura e  percebi que não possui nada de maçante, é realmente bastante descritivo, e não poderia ser de outra forma, como poderíamos nos desesperar com um fim de uma terra e de um povo que não conhecemos, da qual nada sabemos das qualidades, das belezas e das características de seus povos? Toda essa descrição nos faz criar laços emocionais fortes que garantem ou pelo menos garantiram para mim, um enorme desespero todas as vezes em que o fim de tudo aquilo poderia acontecer de fato.


As guerras ( e as cenas de ação de uma maneira geral )  nesses três livros são tão incríveis e envolvem tanta coisa que não tive aquele desespero de perceber que duravam paginas e paginas ( como tive ao ler God Of War por exemplo, onde os combates aconteciam a todos momento), cada parte do livro tem um propósito e cada personagem desempenha um papel fundamental no desfecho.


Terminar o senhor dos anéis é como viver realmente o final de uma Era. Diferente do final otimista e do clima divertido do desfecho de O Hobbit, O Senhor dos Anéis é muito mais conclusivo, solene, traz  uma sensação de nostalgia  e de perda muito grande.
É uma história que todos deveriam ler, assistir, ouvir e até cantar, afinal o próprio livro é cheio de canções.

Como não sonhar, como não viver nitidamente a experiência de todos os personagem tão amados ?? O livro só será maçante se você não usar a imaginação.

Não me sinto  muito apta a falar desse grande clássico, mas como vocês podem perceber por todos esses pontos de exclamação eu simplesmente amei lê-lo!!!







14 de set. de 2015

"A odisseia de Malorie" ou Caixa de Pássaros. Como lidar com um final que não coloca um ponto final no assunto ? Versão estendida com os motivos de esse ser um livro tão aterrorizante.



As 2:43  de hoje  terminei  de ler "Caixa de Pássaros"  e ainda não sei muito bem o quanto gostei 
dele. A odisseia de Malorie em busca de segurança para criar seus filhos é bastante  interessante.
Eu esperava me deparar  com alguns clichês básicos de livros pós apocalípticos, não encontrei boa parte deles e  isso me surpreendeu bastante. De uma maneira geral o livro é interessante e o suspense é bastante instigante, tem vários pontos fortes, que fogem do comum, mas algumas coisas não ficaram legais.


Nada de armamento militar, balas e etc. Nesse livros as pessoas estão sobrevivendo como podem.
As proteções e as armas são improvisadas, dando aos sobreviventes algo de Don Quixote, neles as pessoas usam o que tem para se proteger, e é claro que essas tentativas as vezes beiram ao ridículo. Não podemos esperar que apenas os militares e para militares sobrevivam, as pessoas comuns também estão lá, e para elas as armas são utensílios domésticos e as defesas também são improvisadas. Outra coisa que me chamou a atenção foi o fato de que nele as pessoas possuem teorias diferentes e nele também as pessoas morrem por testá-las.
Quanto ao titulo, eu estava esperando que caixa de pássaros se referisse ao fato de agora os poucos sobreviventes estarem vivendo confinados, sem uma saída possível,quando TOM apareceu com aquela bendita caixa eu pensei :

nossa que chato, não era uma analogia e coisa e tal,  mas ai  a Malorie salva todas as minhas expectativas e faz a alusão a essa prisão sem grades na seguinte frase :
"O mundo está trancado na mesma caixa de papelão que abriga os pássaros lá fora Gary."
 Acho interessante a maneira como o autor lidou  com os padrões de sanidade e de atrocidades que acompanham determinadas situações. Em um mundo normal, considerar cegar recém nascidos não iria passar de uma grande atrocidade, mas em um mundo em que isso pode significar a morte, isso seria tão "bárbaro" tão atroz? Talvez não fosse a escolha correta, mas ninguém poderia julgar seriamente quem optasse por ela. Desde o começo percebi que a Malorie tinha uma relação de admiração muito maior pelo Garoto do que pela Garota. Quando Olímpia apareceu gravida, acho que assim como todo mundo, saquei que um dos bebês era dela, e pensei  que o motivo de Malorie  gostar mais do garoto fosse por ele ser filho da Olímpia, e que o autor  tivesse intensificado o laço dela com o Garoto para demonstrar o quando Malorie pensava nos outros acima de si mesma. Descobrir o inverso foi uma surpresa feliz. Muito mais verdadeiro, muito mais humano nutrir mais orgulho pelo seu próprio filho,mesmo que essa diferença se dissipe com o passar do tempo.

Ai começam os problemas,crianças de 3 anos carregando baldes e de 4 anos remando? OK elas estão sendo treinadas pela mãe para isso mas mesmo assim,acho que isso foi forçar um pouco a barra
Fiquei um pouco decepcionada, tenho que admitir, por que adoro aquele momento em que descobrimos exatamente a história do que está causando o caus, adoro livros de terror
que explicam a historia do que tornou o personagem ruim, do que atraiu os demônios, de o que são as criaturas/etês/bichos  e etc, que estão causando a morte e destruição, mas  neste livro isso tudo ficou vago e eu fui até o final esperando uma explicação,não ter nada além de suposições foi bestante frustrante. Também achei o fato de os nomes dos amigos serem dados as crianças meio clichê, mas isso não é nada que eu não consiga superar.
A questão do lugar para onde ela vai no final é até que legal, uma boa sacada. A morte dos personagens também foi interessante, gostei do fato de o Gary ficar escondido, ele apenas esperou um momento perfeito para testar sua teoria, afinal o Gary prova que as criatura só podem endoidar quem é mentalmente estável e que provavelmente não passam de algo com que uma mente normal não pode lidar,mas o que ? Por que ? Como isso vai tirar meu sono muito provavelmente por algumas noites  aguardo ansiosamente por alguém tenha alguma sugestão, alguma teoria. Ainda estou me perguntando se não pulei algumas páginas sem querer e perdi a explicação O.o ( minha cara isso)

Por que esse é um livro tão aterrorizante?

Na minha opinião essa sensação de terror não está somente associada ao fato de lá fora existirem criaturas capazes de levar ao suicídio, é claro que isso é uma questão complicada, mas não chega a ser a principal.
O que causou em mim uma impressão tão forte foi a forma como o desmoronamento da sociedade causou mudanças no ser humano, O fato de aquilo que chamamos de humanidade ou de  atos desumanos estarem ligados a um conjunto de situações especificas. O mundo mudou de uma maneira tão drástica que você já não pode mais confiar nem em pessoas que você conhecia e convivia, muito menos em desconhecido.
Com relação as criaturas lá fora acho que o grande problema é a situação de terror constatante por elas criado. A luz do dia não traz alivio, como na maioria dos livros  de terror, o perigo  nesse caso está sempre pairando e isso somado a sensação de desconfiança por tudo e todos fez com que eu me colocasse no lugar dos personagens que são pessoas em constante estado de alerta que não podem se dar ao direito de diminuir a vigilância nem nos momentos mais extremos.


Minhas partes Favorita :

  •  O momento em que Malorie tem que escolher entre abrir ou não os olhos, no final 
  •   Quando Malorie diz a seguinte frase : O mundo está trancadona mesma caixa de papelão que abriga os pássaros lá fora

Gary.

  •   A forma como o autor apresenta pessoas normais como personagens centrais.


Não gostei :


  •  Do suspense que se manteve a respeito das Criaturas
  •  Da noção desproporcional entre as capacidades de uma criança de 3/4 anos e as ações que os filhos de Malorie realizam ( não com relação a super audição, isso eu achei legal, mas com relação ao peso com que tem que lidar no momento de buscar água no poço e remar no rio).