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14 de jan de 2016

Um estranho no ninho - Ken Kesey

O que um chefe indígena, um jovem gago, um viciado em jogos e mulheres e outros homens podem ter em comum? Nesse romance todos eles foram considerados, pelo estado e pela sociedade, perigosos e mentalmente instáveis. Todos eles também fazem parte da maravilhosa obra de Ken Kesey.


O livro é Narrado pelo Chefe Bromden,um índio (mestiço) que está internado a muito tempo em um manicômio governado por uma sádica e manipuladora enfermeira. Depois de passar pelos mais cruéis tratamentos realizados nessas instituições nos anos 1960, decidiu se fingir de surdo, coisa em que todos acreditaram a ponto de ignorar a sua presença. A monotonia da instituição só é quebrada com a chegada de Mcmurphi, um ruivo carismático e briguento que vira a instituição de cabeça para baixo, conquistando até o medico chefe, levando os internos para uma  pescaria ou oferecendo a eles uma festa noturna com direito a bebidas e mulheres.

A visão do autor do mundo das instituições de tratamento metal é apresentada de maneira muito intima. O Autor, que já foi enfermeiro de um hospital para veteranos e participou inclusive do famoso projeto MKultra*,  como cobaia para drogas como o LSD.

Eu adorei o personagem principal, o seu equilíbrio entre as próprias alucinações e a sanidade, a maneira sensível  como enxergava o mundo a sua volta, sempre ouvindo os segredos mais obscuros. É claro que a falsa surdez do Chefe é desmascarada pelo novato, o que faz com que uma estranha e emocionante amizade surja no seio de uma grande é transtornada confusão.
É interessante saber que muitos dos internos dessas instituições lá estão por escolha própria, por que mesmo com todas as suas falhas, o ambiente não é tão cruel como o mundo lá fora, as pessoas com quem convivem são capazes de entender a suas limitações e isso muitas vezes já é o bastante para faze-los desistir da independência e da liberdade.

Confesso que não vi nada de mais no livro até quase a metade, apenas uma simpatia com relação ao Chefe, mas do meio para frente fiquei interessada nas histórias de vida e nas escolhas de MCMurphi, dai em diante o livro só melhora, caminhando para um final maravilhoso, digno de um clássico.

"Ando de um lado para o outro, e eles vêem através de mim, como seu eu não estivesse lá - as únicas coisas de que sentiriam falta, se eu não aparecesse, seriam da esponja e do balde a flutuar no espaço" ( um estranho no ninho, Ken Kesey, best bolso p.200)

Fiquei tão apaixonada que no mesmo dia corri para o filme, dirigio por Milos Forman, e estrelado pelo meu adorado Jack Nicholson. Nischolson atua com Mc Murphi, que no filme é claramente destacado como personagem principal. Gostei bastante do filme, é bem fiel a mensagem principal do livro, que mostrar como eram ( e ainda são) marginalizados e esquecidos os que sofrem de transtornos mentais, e como um homem saudável pode perder a cabeça, e se revelar tão perturbado quanto qualquer outro, quando enclausurado e submetido ao tratamento psicologica e fisicamente abusivo, como os ainda realizados nos anos de 1960. No filme, senti falta apenas da participação do Chefe, acredito que se o diretor  optasse por coloca-lo como um narrador  dos fatos o filme seria ainda melhor.

*O MKultra foi um projeto secreto da CIA que financiou testes de drogas e experimentos com pacientes mentalmente instáveis não só nos Estados Unidos mas também no Canada, no período em que crianças nascidas fora do casamento eram criadas junto com doentes mentais e instituições religiosas, e portanto tornaram-se alvo fácil para sádicos experimentos.( se interessou? Da uma olhada na postagem sobre o livro A Síndrome E )

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