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terça-feira, 13 de outubro de 2015

Preconceito literário e os livros aos quais não demos uma chance


Hoje baixei novamente o e-book de O Príncipe de Westeros,  uma coletânea de contos de diversos gêneros, agrupados por George R.R Martin. Comecei a ler o prefácio novamente depois de descobrir que havia pulado um conto inteiro na minha tentativa anterior de leitura ( não recomendo tablets para ler, para mim foi um completo desastre).

Gostaria de compartilhar então esse trecho brilhante de um dos autores mais marcantes da minha breve vida de leitora :

"Eu comprava todo meu material de leitura em bancas de jornal e nas “lojas de doces” de esquina, em expositores de arame. Aquelas edições econômicas nos expositores não eram separadas por gênero. Tudo era amontoado, um exemplar desse, dois exemplares daquele. Era possível encontrar Os irmãos Karamazov espremido entre um romance sobre enfermeiras e a última aventura de Mike Hammer, de Mickey Spillane. Dorothy Parker e Dorothy Sayers dividiam o espaço com Ralph Ellison e J. D. Salinger. Max Brand ficava ao lado de Barbara Cartland. A. E. van Vogt, P. G. Wodehouse e H. P. Lovecraft amontoavam-se com F. Scott Fitzgerald. Livro de mistério, faroestes, góticos, histórias de fantasma, clássicos da literatura inglesa, os últimos romances “literários” contemporâneos e, claro, ficção científica, fantasia e horror — era possível encontrar tudo isso naquele expositor de arame. 
Eu gostava das coisas daquele jeito. E ainda gosto. Mas, nas décadas que vieram (décadas demais, temo eu), o setor editorial mudou, as cadeias de livrarias se multiplicaram e as barreiras de gênero se fortaleceram. Acho uma pena. Os livros deveriam ampliar nossa visão, nos levar a lugares onde nunca estivemos e mostrar coisas que nunca vimos, expandir nossos horizontes e nossa maneira de olhar o mundo. Limitar a leitura a um único gênero acaba com essa missão. Também nos limita, nos torna menores. Para mim, tanto no passado como agora, parece haver boas e más histórias, e essa era e ainda é a única distinção que realmente importa."
Martin, G. R.R. O Principe de Westeros e outras histórias. Ed. Saída de Emergência. 2015.


Esse trecho tem uma relação muito forte com minha filosofia de vida literária. Acho que mesmo nessa segunda leitura,apreciei cada palavra balando a cabeça em concordância.

O que existe são boas histórias, se o que estamos lendo nos faz viajar,por que devemos nos preocupar em classificar essas leituras e taxa-las por seu conteúdo, definindo-as em uma relação hierárquica?
Eu sempre li de tudo, e quando digo isso não estou exagerando, em momentos desesperadores de tédio devo ter lido uma quantidade enorme de panfletos e placas. A leitura sempre foi minha melhor fuga, meu melhor lazer e a forma mais fácil para que eu aprendesse alguma coisa ( tudo o que eu não podia aprender lendo não foi.  provavelmente, aprendido até hoje).
Acho que é isso que as pessoas precisam ter em mente antes de empurrar seu preconceito literários em outros leitores. Existem leituras diferentes para momentos diferentes. O que existe de errado em admirar uma história capaz de proporcionar horas de entretenimento prazeroso?  Existem é claro leituras mais densas, muitas vezes tão prazerosas quanto as mais leves, mas que nos momentos em que a minha cabeça não estava boa, depois de uma maratona de estudos ou uma discussão no trabalho e etc ,não entrariam na minha cabeça, nesses momentos eu  apenas queria rir ou me prender em um suspensa daqueles impossíveis de largar  e acho que não existe nada de errado nisso.

Nem todo clássico vai me agradar ou acrescentar algo na minha vida, nem todo clássico é tão denso e complicado como as pessoas insistem em dizer. Acho que elas só dizem isso para garantir o lugar delas no trono dos "cultos". Assim como nem todo Best Seller, infanto-juvenil..., é vazio e provido apenas de entretenimento, muitos tem sim algo a acrescentar ( ouso dizer que a maioria tem). Mas nem todos são tão legais ou tem uma linguagem agradável e etc. Assim como não dá para julgar um livro pela capa, não da para julgar um livro pelo seu gênero, autor ou pela sua crítica.

Meu lema como leitora sempre foi : É ler para ver.

50 tons de cinza não funcionou para mim( e eu tentei os dois primeiros inclusive), mas Percy Jackson foi uma das minha melhores leituras. Passei um bom tempo fugindo de Crime e Castigo com medo de não entender nada e esse também foi um livro maravilhoso.

Quem nunca se arriscou a fazer uma leitura as cegas sem nem mesmo saber a sinopse não sabe a sensação incrível que esta perdendo. Se eu pudesse não leria nem uma, apenas para garantir a surpresa, Adoro ler a resenha que as pessoas postam, mas faço isso geralmente com livros que eu já li ou quando estou em dúvida sobre comprar o físico ou ficar com a cópia digital, Sinto uma necessidade muito grande de ter com quem conversar a respeito de minhas leituras.Ler é a coisa que eu mais amo na vida, não pode então existir um assunto que me interesse mais.

Sugiro então que todos que deem uma chance à aquele livro para o qual vocês torceram  o nariz. Pode ser que acabem odiando mesmo,mas não irão sofrer do mal da duvida, nem farão caça às bruxas com  livro do qual  nunca leram nem um parágrafo.

Temos o direito de não gostar, mas é muito importante saber o motivo, e para saber só lendo.


Minha coleção, no maior estilo expositor de arame!!!


2 comentários:

  1. Muito legal você trazer esse assunto para a roda! Eu também sou super eclética, embora prefira os clássicos, mas jamais deixo de ler algo por não ser canônico!
    Por exemplo, teve uma época em que A Culpa é das Estrelas estava bem em alta e eu sabia que não ia gostar, mas antes de falar mal, eu fui lá e li o tal livro. Acho feia quem fala mal de livros sem nem ter lido!

    Viva a leitura eclética!
    Sua estante é bem eclética igual a minha, ^^
    Beijinhos, Hel.
    http://leiturasegatices.blogspot.com.br/

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  2. Também acho bem feio falar mal de um livro sem ler, mesmo quando o livro já parece que não vai me agradar, ou me abstenho nas discussões ou acabo lendo,mesmo que para confirmar a minha suspeita. Foi bem assim com cinquenta tons de cinza, como falei, tentei por curiosidade em saber o que as pessoas tanto viam no livro, mesmo não curtindo livros erótico, no fim não gostei mesmo,mas ainda assim não jugo quem gosta. Tem foto da sua estante lá no blog Hel? Quero dar uma espiadinha ;)

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